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08/02/2010 - 12h22min
ESPECIAL
NOVOS RUMOS PARA OS VESTIBULANDOS

Como os dois grandes eventos esportivos que vão desembarcar no Brasil em 2014 e 2016 influenciarão a vida de quem pretende fazer uma faculdade

Se tem um evento que consegue parar o Brasil é a Copa do Mundo. Camisas verde-amarelas para todos os lados, torcida e muita empolgação para acompanhar os jogos de futebol. No caso das Olimpíadas, a mobilização é igualmente animada. Se nos anos anteriores foi assim, imagine quando esses eventos desembarcarem por aqui em 2014 e 2016?

Para quem é estudante vale a pena ficar atento, porque essas duas competições podem ser mais que oportunidades para curtir o resultado dos representantes brasileiros: elas podem dar uma forcinha para turbinar o currículo de quem está se preparando para entrar no mercado de trabalho nos próximos anos.

Segundo Ricardo Mathias, gestor da Trevisan Escola de Negócios – unidade Rio de Janeiro, eventos como a Copa e as Olímpiadas costumam movimentar a economia das cidades e países onde são realizados. Por isso, mesmo parecendo que ainda falta muito tempo até 2014 ou 2016, é importante que os estudantes comecem a se planejar para aproveitar as oportunidades que vêm por aí.

“A expectativa é que esses eventos comecem a abrir novas vagas de trabalho desde já, principalmente nas cidades-sede, as maiores beneficiadas com o crescimento da infra-estrutura. Por isso, é essencial que o profissional invista em qualificação para se diferenciar no mercado e conseguir as melhores vagas”, comenta.

Para ele, é importante que, antes de fazer uma opção, o estudante procure se informar sobre a profissão escolhida e traçar um planejamento de suas metas. “O mais simples é pesquisar sobre as áreas que estão crescendo e investir nelas”, diz. Por isso, ficar de olho nos cursos que devem estar em alta na época dos eventos pode ser um bom começo para se dar bem.

Para os mais empolgados, ele aconselha um pouco de cautela para que o sonho de um bom trabalho na Copa do Mundo ou nas Olimpíadas não se torne um pesadelo. “É bom tomar cuidado, porque esses eventos acabam e o profissional precisa estar preparado para isso. A Copa e as Olimpíadas podem gerar uma oportunidade, mas ele deve trabalhar para solidificar sua posição e conquistar um espaço que não acabe com o fim dos jogos”, explica.

Atualização

Mesmo optando por um dos cursos que estará em alta, é bom o estudante ter consciência de que só isso não vai garantir o emprego. “A graduação não vai render um espaço eterno, então é importante procurar se especializar e aproveitar oportunidades como essas”, diz o economista Gilmar Lourenço, coordenador do curso de Ciências Econômicas da UniFAE Centro Universitário.

Quanto ao domínio de outras línguas, a regra é simples: quanto mais, melhor. “Inglês é obrigatório. Vale também investir em aulas de espanhol, francês, italiano ou alemão para incrementar o currículo. Quanto maior o leque de conhecimento em línguas, mesmo que seja em nível intermediário, maior a possibilidade de o profissional se destacar”, diz.

Para quem quer se diferenciar, outras opções são o mandarim, japonês e árabe, línguas que vêm ganhando importância na economia mundial.

Além disso, não se esqueça de um detalhe que pode fazer muita diferença: a cultura. “Com pessoas vindas de tantos países, é importante ter capacidade para interagir com outras culturas. Então, além de estudar a língua, tire algum tempo para conhecer as características daquele país e quais são os costumes e hábitos dos moradores. Isso torna o processo mais fácil, além de evitar muitas gafes”, diz Mathias.

Veja as carreiras que, de acordo com especialistas, deverão ganhar com a vinda da Copa e das Olimpíadas:

- Engenharia Civil

Para quem pensa em cursar Engenharia Civil, aí vai uma ótima notícia: o curso tem tudo para despontar como um dos mais promissores nesse período de Copa de Mundo e Olimpíadas. “Um dos maiores desafios do Brasil é apresentar uma infraestrutura à altura da importância desses eventos e é justamente nesse sentido que os engenheiros civis serão requisitados”, explica Carlos Maurício de Paula Barros, presidente da Abemi (Associação Brasileira de Engenharia Industrial).

Segundo ele, a expectativa é que cresçam, desde agora, o número de oportunidades para profissionais em empresas do segmento de construção civil em função do aumento das obras de construção e reformas de estádios, complexos esportivos, aeroportos, hotéis, restaurantes, casas, edifícios e empreendimentos comerciais.

Para quem não quer perder oportunidades, a dica é garantir pelo menos um segundo idioma e se especializar. “Uma boa é fazer uma pós-graduação em gestão. Assim, o engenheiro alia à sua área conhecimentos de gerenciamento que não teve durante a graduação, o que garante um diferencial no mercado”, diz.

- Arquitetura e Urbanismo

Se a área de construção civil promete se destacar nos próximos anos, quem deve acompanhar essa tendência de perto – e se beneficiar com ela – são os arquitetos e urbanistas.

Isso porque, além de construir, outro ponto importante é aperfeiçoar a infraestrutura e o visual de espaços públicos e privados.

“Não basta investir em prédios sofisticados e estádios cheios de recursos tecnológicos se a cidade tem um trânsito péssimo e poucos espaços de lazer ao ar livre. É preciso conciliar tudo isso, uma tarefa que deve movimentar o mercado de arquitetos e urbanistas”, diz Ricardo Mathias, gestor da Trevisan Escola de Negócios – unidade Rio de Janeiro.

Por isso, a expectativa é que sejam abertas vagas para profissionais na adequação da rede urbana às exigências internacionais, desenvolvimento da rede de transportes e nas melhorias das condições de acesso e tráfego nas cidades.

- Relações Internacionais

Para quem pensa que somente as áreas relacionadas a turismo e infraestrutura serão beneficiadas, é bom ficar de olho no curso de Relações Internacionais. Voltada naturalmente para a área de negócios e diplomacia, essa graduação deve ficar em alta antes dos eventos devido à necessidade que o país terá de profissionais com capacidade para interagir com outras culturas.

“Mais que falar outros idiomas, o profissional precisa conhecer os países com os quais está se relacionando e ter ‘jogo de cintura’ suficiente para fazer acordos, dialogar e conciliar as diferenças”, explica Ricardo Mathias, gestor da Trevisan Escola de Negócios – unidade Rio de Janeiro.

Além disso, com a aproximação das datas dos eventos, o Brasil deve ganhar ainda mais espaço na mídia internacional, o que pode despertar o interesse de governos e empresas privadas em fazer investimentos por aqui.

“Todo esse processo pode facilitar a aproximação dos países e beneficiar o Brasil politicamente em âmbito mundial, o que torna o profissional de Relações Internacionais imprescindível”, diz o economista Gilmar Loureiro, coordenador do curso de Ciências Econômicas da UniFAE Centro Universitário.

- Letras

Se você se interessa pelo curso de Letras – independentemente da habilitação escolhida –, saiba que há grandes chances de se dar bem com esses eventos. Nesse caso, tanto os estudantes que optam pela licenciatura quanto aqueles que decidem trabalhar com tradução têm possibilidades de encontrar boas oportunidades.

Mesmo antes dos eventos começarem, muitos estudantes e profissionais procuram por cursinhos de línguas ou professores particulares para deixarem um segundo idioma (ou terceiro, quem sabe) afiado e não fazer feio na hora de se comunicar com os estrangeiros que devem participar – ou visitar – os eventos, o que deve abrir mais vagas para professores de línguas.

Para quem optar por se especializar em tradução, a tendência é que o trabalho já comece nos próximos meses e se intensifique conforme os eventos se aproximem.

Agora, o foco deve ser tradução de materiais de divulgação, documentos, apresentações e acordos, mas, nas semanas que antecedem e durante a realização da Copa e das Olimpíadas, o que não deve faltar são oportunidades para tradução para turistas que não falam português.

- Comunicação Social e Marketing

Outros setores que devem abrir vagas motivados pela Copa do Mundo e pelas Olimpíadas são Comunicação Social – e todas as suas habilitações: Publicidade e Propaganda; Jornalismo; e Relações Públicas – e Marketing, todos com a responsabilidade de atender à crescente demanda por informação derivada do aumento da exposição do Brasil na mídia.

Nesses casos, dentro de cada área, o foco será a comunicação como forma de divulgar e fortalecer o esporte. “Esses profissionais serão vitais para o êxito do evento, pois ficarão responsáveis tanto por despertar interesse de patrocinadores e turistas em relação ao Brasil, quanto pela divulgação dos eventos e consolidação da imagem brasileira no exterior”, explica Ricardo Mathias, gestor da Trevisan Escola de Negócios – unidade Rio de Janeiro.

Além da comunicação com foco internacional, outro ponto forte será a comunicação empresarial. “As empresas que querem patrocinar o evento, alguma equipe ou atleta, devem ter profissionais que entendam não só de marketing, mas de esportes também. Independentemente de sua formação, ele precisa estar atualizado sobre os últimos acontecimentos e quem são as grandes apostas do momento, para não fazer feio”, comenta.

- Turismo

Quando se fala em cursos que vão estar em alta no período da Copa e das Olimpíadas, uma aposta certa é a graduação em Turismo. Isso porque a expectativa é que toda a cadeia de serviços desse setor seja movimentada – e tenha lucros – com a vinda de turistas para o Brasil.

“Hotéis, pousadas, restaurantes, transportes, comércio, passeios e opções de entretenimento, toda essa estrutura será exigida pelos visitantes e tem que corresponder à altura se quisermos ser reconhecidos como um país bonito e acolhedor”, explica Ricardo Mathias, gestor da Trevisan Escola de Negócios – unidade Rio de Janeiro.

Nesse caso, é bom ficar de olho, porque as oportunidades não devem se restringir às cidades-sede. No Paraná, os jogos em Curitiba podem ser um incentivo para que os visitantes passeiem pelo litoral e pelo interior do estado.

“Das praias às Cataratas do Iguaçu, tudo deve ser bem trabalhado para que os turistas visitem, gostem e queiram sempre voltar”, diz o economista Gilmar Lourenço, coordenador do curso de Ciências Eco­­nô­micas da UniFAE Centro Universitário.

Na área de Turismo um segmento que deve crescer é a hotelaria. Com o aumento considerável no número de turistas circulando pelo país, é natural que haja aumento e melhoria nos hotéis e pousadas, principalmente nas cidades-sede e em regiões turísticas.

- Gastronomia

Com o crescimento do setor de Turismo, também devem surgir oportunidades na área da Gastronomia.

A expectativa é que, até a realização dos eventos, haja um grande investimento em restaurantes e bares. Com isso, o pessoal formado em Gastronomia pode se dar bem com a abertura de postos de trabalho em cozinhas e empresas do setor de alimentação em todo o país.

“Esses profissionais devem estar antenados nos hábitos e costumes do pessoal que vem de outros países, assegurando que eles vivam uma experiência tão agradável que queiram vir novamente em outra época”, diz o economista Gilmar Lourenço, coordenador do curso de Ciências Ec­nômicas da UniFAE Centro Uni­versitário.

- Educação Física

É fato: em ano de Copa do Mundo ou de Olimpíadas, naturalmente há uma procura maior por academias e clubes. São pessoas de todas as idades que se inspiram nos exemplos dos atletas de alto rendimento para, pelo menos nessa época, praticar esportes e deixar um pouco de lado o sedentarismo.

Por isso, o período desses eventos pode ser excelente para quem pensa em cursar Educação Física. Técnicos, professores e personal trainers podem ser beneficiar com esse incentivo à prática de esportes.

Nesse caso, um ponto importante é investir em especialização para se diferenciar no mercado e não ficar sem emprego quando essa onda de prática de esportes perder força.

“O crescimento do esporte exige uma profissionalização do serviço. Por isso, é bom procurar um curso de gestão esportiva, por exemplo, que traz uma visão de gerenciamento importante para quem quer trabalhar na iniciativa privada e em órgãos públicos”, diz Ricardo Mathias, gestor da Trevisan Escola de Negócios – unidade Rio de Janeiro.

Vale a pena ser voluntário

Para quem não pensa em escolher um dos cursos que estará em alta nesse período dos eventos esportivos ou prefere viver a experiência do Mundial e dos Jogos de maneira mais cotidiana, uma dica interessante é trabalhar como voluntário nos eventos. São várias opções de cargos, que englobam ocupações como guia para delegações estrangeiras, tradutores, recepcionistas e profissionais para trabalhar diretamente nas partidas.

Nestes casos, principalmente durante as Olimpíadas, é fácil entrar em contato com atletas de outros países e, quem sabe, conhecer aquele ídolo do esporte com quem você tanto sonhou. “Mesmo não ganhando um salário, o voluntário pode se divertir, incluir essa vivência em seu currículo e ter experiências de vida inesquecíveis, daquelas que poderá contar para os netos com o maior orgulho”, diz o economista Gilmar Lourenço, coordenador do curso de Ciências Econômicas da UniFAE Centro Universitário.

Marque no calendário

Pode parecer que os eventos ainda estão longe, mas marque no calendário, porque em 2013 o Brasil já começa sua “maratona” esportiva com a realização da Copa das Confederações, uma competição que serve como preparação para a Copa do Mundo. Por isso, as oportunidades podem aparecer antes do que você espera.

Fonte: Jornal Gazeta do Povo - Caderno Vestibular - Publicada em 08/02/2010 - Por Rafaela Bortolin
Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.br/vestibular2009/conteudo.phtml?tl=1&id=971014&tit=Novos-rumos-para-os-vestibulandos>

 
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