11/08/2009
INFORMAÇÕES FALSAS
E-mail sobre gripe? Nem abra
Secretário da Saúde do Paraná faz apelo à população para que ignore mensagens exageradas sobre a nova doença
Na explanação que fez ontem aos deputados estaduais do Paraná, o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Martin, fez um apelo à população para que não acredite nas mensagens enviadas por e-mail sobre a gripe A (H1N1). A orientação é para que a população só se informe em locais apropriados, evitando que se crie pânico.
O pedido foi feito diante do grande volume de e-mails que circulam com informações erradas. “Se alguém receber um desses e-mails sobre gripe A, nem abra. Porque isso só gera pânico e, consequentemente, uma demanda completamente desnecessária de atendimento médico”, reforça o secretário.
A orientação de Martin para quem quer se informar com segurança na internet é buscar sites de saúde pública (o da própria Secretaria de Estado da Saúde, do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde) e endereços de veículos responsáveis. “Não precisamos de informações erradas. Acreditar nessas mensagens de e-mails sem origem é um absurdo, só atrapalha”, ressalta o secretário.
Entre as mensagens falsas que circulam na rede de computadores, Martin lembra as que falam na suposta morte de médicos. “Nenhum profissional de saúde do Paraná morreu até agora por conta do vírus H1N1”, enfatiza.
Pelo mesmo motivo, o Hospital de Clínicas (HC) e a operadora de saúde Unimed Curitiba também emitiram notas sobre as inverdades desses e-mails. No caso do HC, uma mensagem afirma que alguns médicos e funcionários do hospital teriam morrido contaminados pelo vírus após contato com pacientes. “Esclarecemos que até a presente data não houve nenhum óbito de funcionário, médico ou residente do HC, mesmo porque não houve nenhum internamento desses por suspeita de gripe A (H1N1)”, diz a nota oficial do HC.
Já em relação à Unimed Curitiba, o e-mail fala sobre uma falsa conversa entre funcionários dizendo que 12 médicos morreram contaminados em Curitiba, sendo três deles da operadora. “A Unimed Curitiba registra que os ‘e-mails’, ‘spams’ ou ‘chats’ acerca da Gripe A (H1N1) envolvendo seu nome não são verdadeiros, motivo pelo qual rechaça as informações nestes apresentadas”, diz o texto.
Além de mensagens apócrifas, alguns e-mails sobre a gripe A também podem contaminar o computador com vírus. Em seu site, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informa que não envia e-mails sobre a prevenção da doença. A mensagem falsa, intitulada “Campanha para prevenção contra Gripe A H1N1 (Suína)” é falsa e pode causar danos nas máquinas dos destinatários.
Fonte: Jornal Gazeta do Povo - Seção Gripe A - Publicado em 11/08/2009 por Marcos Xavier Vicente
Disponível em: <http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/gripea/conteudo.phtml?tl=1&id=913658&tit=E-mail-sobre-gripe-Nem-abra>
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CERTAS PALAVRAS
Gripe, boatos e cuidados
Desde que a pandemia de gripe A (H1N1), ou gripe suína, chegou ao Brasil os boatos se espalharam mais rápido que a doença.
Curitiba se tornou a principal referência na rede da boataria. A internet está contaminada. Há afirmações de que o número de mortos em decorrência da gripe na capital do Paraná é muito superior ao divulgado e que as autoridades de saúde estão sonegando informações. Existe também quem espalhe boatos de que entre os mortos estão médicos e outros profissionais de saúde.
A imaginação dos boateiros vai longe. Dizem que o comércio vai fechar, que os ônibus vão parar de circular e que as pessoas serão proibidas de sair de casa. O problema se tornou uma paranóia. Há até aquele boato que mais parece uma cena de filme ou capítulo de livro de ficção: na segunda onda da gripe, prevista para setembro, as pessoas cairiam nas ruas e morreriam em pouco tempo. Os corpos iriam se amontoar pelas calçadas, como ocorreu na época peste negra, no século XIV, quando 1/3 da população da Europa morreu vítima da doença.
A pandemia de gripe A é séria e não se pode descuidar, mas também não se deve permitir a divulgação de informações não confirmadas. Causar alarme não ajuda a combater a pandemia.
Até o momento, não existe nenhum indício de que as autoridades estão escondendo o número de mortos e de doentes. O Ministério da Saúde e as secretarias estaduais e municipais de saúde, além dos hospitais, têm trabalhado com transparência na divulgação de dados e orientação.
Quem tem dúvida, vale a pena ler:
1. Existe transmissão sustentada do vírus da Influenza A (H1N1) no Brasil?
Desde 24 de abril, data do primeiro alerta dado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) sobre o surgimento da nova doença, até o dia 15 de julho, o Ministério da Saúde só havia registrado casos no país de pessoas que tinham contraído a doença no exterior ou pego de quem esteve fora. No dia 16 de julho, o Ministério da Saúde recebeu a notificação do primeiro caso de transmissão da Influenza A (H1N1) no Brasil sem esse tipo de vínculo. Trata-se de paciente do Estado de São Paulo, que morreu no último dia 30 de junho. Esse caso nos dá a primeira evidência de que o novo vírus está em circulação em território nacional. Todas as estratégias que o MS deveria adotar numa situação como esta já foram tomadas há quase três semanas. O Brasil se antecipou. A atualização constante de nossas ações contra a nova gripe permitiu que, neste momento, toda a rede de saúde esteja integrada para manter e reforçar as medidas de atenção à população.
2. Qual a diferença entre a gripe comum e a Influenza A (H1N1)?
Elas são causadas por diferentes subtipos do vírus Influenza. Os sintomas são muito parecidos e se confundem: febre repentina, tosse, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e coriza. Por isso, não importa, neste momento, saber se o que se tem é gripe comum ou a nova gripe. A orientação é, ao ter alguns desses sintomas, procure seu médico ou vá a um posto de saúde. É importante frisar que, na gripe comum, a maioria dos casos apresenta quadro clínico leve e quase 100% evoluem para a cura. Isso também ocorre na nova gripe. Em ambos os casos, o total de pessoas que morrem após contraírem o vírus em todo o mundo é, em média, de 0,5%.
3. Quando eu devo procurar um médico?
Se você tiver sintomas como febre repentina, tosse, dor de cabeça, dores musculares, dores nas articulações e coriza, procure um médico ou um serviço de saúde, como já se faz com a gripe comum.
4. O que fazer em caso de surgimento de sintomas?
Qualquer pessoa que apresente sintomas de gripe deve procurar seu médico de confiança ou o serviço de saúde mais próximo, para receber o tratamento adequado. Nos casos de agravamento ou de pessoas que façam parte do grupo de risco, os pacientes serão encaminhados a um dos 68 hospitais de referência.
5. Por que o exame laboratorial parou de ser realizado em todos os casos suspeitos?
Essa mudança ocorreu porque um percentual significativo — mais de 70% — das amostras de casos suspeitos analisadas em laboratórios de referência, antes dessa mudança, não era da nova gripe, mas de outros vírus respiratórios. Com o aumento do número de casos no país, a prioridade do sistema público de saúde é detectar e tratar com a máxima agilidade os casos graves e evitar mortes.
6. Se o exame não é realizado em todas as pessoas, isso significa que o número de casos registrados será subnotificado?
É importante ficar claro que vários países estão adotando a mesma prática, por recomendação da Organização Mundial da Saúde. Vamos continuar a registrar o número de casos. Como já ocorre com surtos de gripe comum, vamos confirmar uma amostra de casos e todos os outros que tiverem os mesmos sintomas e no mesmo ambiente, seja em casa, na escola, no trabalho, na igreja ou no clube, serão confirmados por vínculo epidemiológico. Além disso, temos no Brasil 62 unidades de “Rede Sentinela” em todos os estados, com a função de monitorar a circulação do vírus influenza e ocorrência de surtos. Essa rede permite que as autoridades sanitárias monitorem a ocorrência de surtos devido ao vírus da gripe comum — e, agora, do novo vírus — por meio da coleta sistemática de amostras e envio aos laboratórios de referência. É importante ficar claro que, a partir de agora, o objetivo não é saber se todos os que têm gripe foram infectados por vírus da influenza sazonal ou pelo novo vírus. Com o aumento no número de casos, passamos agora a trabalhar com o diagnóstico coletivo, exceto para aqueles que podem desenvolver a forma grave da doença, seja gripe comum ou gripe A.
7. Quais os critérios de utilização para o Tamiflu?
Apenas os pacientes com agravamento do estado de saúde nas primeiras 48 horas, desde o início dos sintomas, e as pessoas com maior risco de apresentar quadro clínico grave serão medicados com o Tamiflu. Os demais terão os sintomas tratados, de acordo com indicação médica. O objetivo é evitar o uso desnecessário e uma possível resistência ao medicamento, assim como já foi registrado no Reino Unido, Japão e Hong Kong. É importante lembrar, também, que todas as pessoas que compõem o grupo de risco para complicações de influenza requerem avaliação e monitoramento clínico constante de seu médico, para indicação ou não de tratamento com o Tamiflu. Esse grupo de risco é composto por: idosos acima de 60 anos, crianças menores de dois anos, gestantes, pessoas com diabetes, doença cardíaca, pulmonar ou renal crônica, deficiência imunológica (como pacientes com câncer, em tratamento para AIDS), e também pessoas com doenças provocadas por alterações da hemoglobina, como anemia falciforme.
8. O medicamento está em falta?
Não. O Ministério da Saúde possui estoque suficiente de medicamento para tratamento dos casos indicados. Além de comprimidos para uso imediato, temos matéria-prima para produzir mais nove milhões de tratamentos.
9. Os hospitais estão preparados para atender pacientes com a Influenza A (H1N1)?
Atualmente, o Brasil possui 68 hospitais de referência para tratamento de pacientes graves infectados pelo novo vírus. Nestas unidades, existem 900 leitos com isolamento adequado para atender aos casos que necessitem de internação. Todos os outros hospitais estão preparados para receber pacientes com sintomas leves de gripe.
10. Como eu posso me prevenir da doença?
Alguns cuidados básicos de higiene podem ser tomados, como: lavar bem as mãos frequentemente com água e sabão, evitar tocar os olhos, boca e nariz após contato com superfícies, não compartilhar objetos de usopessoal e cobrir a boca e o nariz com lenço descartável ao tossir ou espirrar.
Fonte: Jornal Gazeta do Povo - Seção Blogs - Publicado em 10/08/2009 por Célio Martins e Ministério da Saúde
Disponível em: <http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/certaspalavras/>
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