Entrevista com Sandra Bozza
 
A educadora Sandra Mara de Oliveira Bozza entrou para a área de educação quase obrigada: precisava ajudar a família e necessitava de uma profissão. Se encontrou e não parou nunca mais. É professora desde 1974 e hoje trabalha, principalmente, com a capacitação e pós-graduação de professores. Possui diversas publicações de materiais didáticos, entre eles, "Tempo de Alfabetizar". Adotado em mais de 20 estados brasileiros e aprovado pelo Ministério da Educação, o material mostra ao educador exemplos de atividades dinâmicas para alfabetização.

Nos dias 8, 13 e 14 de dezembro, Sandra esteve com os professores dos Colégios Martinus Centro e Portão para curso de atualização. Sua linha de ensino é chamada de sócio-histórica, onde prevalece a concepção de que o desenvolvimento humano é determinado pela aprendizagem, e que ela deve ser mediada pelo professor (idéia também seguida pelo Martinus). Conheça um pouco mais sobre a educadora na entrevista a seguir, feita pela redação do Conexão Martinus:

Martinus: Como funciona o treinamento que a sra. ministra aos professores?

Sandra Bozza: Ele é desenvolvido com o objetivo de reflexão sobre as práticas aplicadas durante o ano e, se necessário, um redimensionamento para o ano de 2008. Nesses três dias, revisitamos as concepções de aprendizagem e de texto, a metodologia de trabalho com a Língua Portuguesa, os conteúdos mais elementares para cada etapa de ensino e, no decorrer de todo esse processo, abrimos espaço para atividades práticas. Com isso, os educadores mostraram o que tem desenvolvido e aprimoraram
suas vivências.

Martinus: Por que a sra. resolveu ser professora?

Sandra: Na verdade não resolvi ser professora! A decisão foi a vida que me impôs, pois, ao sair do ginásio, precisava cursar algo que me permitisse, o mais breve possível, contribuir para o sustento da minha família, que passava por dificuldades financeiras muito graves. Na época, enquanto alguns faziam o "Científico" para entrar na faculdade, eu precisei ir para a "Escola Normal", sem sequer pensar na possibilidade de continuar. No próprio curso me encontrei. Descobri, com bons mestres, que ensinar me
dava prazer. Aos 18 anos fiz meu primeiro concurso público e continuo na faina educacional até hoje, aos 52 anos. Por isso afirmo que vida e educação não se distinguem em meu desenvolvimento.

Martinus: Quais são os poderes de transformação da educação?

Sandra: Para responder a essa questão, gostaria de afirmar que acredito que o homem é o único ser que possui duas gestações: uma biológica e outra cultural. Enquanto vivermos, estaremos aprendendo. Aprendendo mais ou aprendendo menos. Depende das instâncias que nos educam. A educação é capaz de mudar a mentalidade de muitas gerações. Há um filme muito interessante, "A Língua das Mariposas", em que, no discurso de sua aposentadoria, o professor afirma que se a Espanha tivesse condições de
ensinar bem a apenas uma geração, ela seria livre e desenvolvida para sempre. Assim, a educação é a mola propulsora de todo desenvolvimento, quer do individual, quer do coletivo. Um povo bem educado é o retrato de uma nação forte. Porém, só educa bem seu povo o país que já ultrapassou os limites de garantir as primeiras necessidades para seus cidadãos. É por isso que é tão difícil trabalhar com a educação em um país periférico como o Brasil.

Martinus: Quais são os principais problemas na educação brasileira?

Sandra: Sem sombras de dúvidas é a formação dos profissionais que atuam na educação. Não estou culpando o professor. Pelo contrário. Ele é vítima de um sistema educacional perverso, que o tempo todo vem sendo reformulado para dar conta de estatísticas oficiais, sem se preocupar em garantir um mínimo de consistência em seus currículos (inclusive educação a distância
e cursos de graduação com dois anos de duração).

Martinus: Qual a importância do professor se capacitar e realizar cursos freqüentemente?

Sandra: Os momentos de capacitação, sejam individuais ou coletivos, subsidiam aos professores, principalmente, para a reflexão constante de suas ações. É nessas horas, afastadas da sala de aula ou dos gabinetes e serviços especiais da escola, que se pode ter uma visão conjunta das diversas variáveis que determinam a ação de ensinar e de aprender. A capacidade de análise do todo pode gerar um funcionamento melhor das partes. Sendo assim, muitas vezes, os cursos servem para dar uma linha de unidade para toda ação docente.

 
Confira a íntegra da entrevista na próxima edição do Conexão Martinus.

Quer saber mais sobre Sandra Bozza? Acesse o www.sandrabozza.com.br