08/02/2010 - 14h31min
ENSINO
Bom É aprender brincando!
Além de caderno, lápis e livros, colégios incluem na lista de material escolar brinquedos pedagógicos. Alguns cuidados devem ser tomados na hora de comprá-losades escolares de seu filho? Participar ativamente pode ser decisivo no desenvolvimento dentro e fora da sala de aula
Como bem sabem pais e filhos, brinquedos são feitos para divertir e encantar; afinal, infância feliz é infância em meio a muitas bonecas e carrinhos. Alguns, porém, têm o diferencial de não apenas entreter, mas também de ensinar: são os brinquedos pedagógicos, que têm conquistado cada vez mais espaço no mercado. Como janeiro é época de pensar nos materiais da lista escolar e algumas delas solicitam esse tipo de produto, uma boa dica é comprar para os pequenos brinquedos que poderão ser utilizados durante o ano letivo como forma de estimular o aprendizado.
Mas, ao entrar em uma loja, como saber se o brinquedo é pedagógico? “São aqueles brinquedos que fazem associação com algo que a criança está aprendendo, como o jogo de letrinhas, que ajuda na alfabetização, ou com números, que ajuda na apreensão de conceitos matemáticos”, esclarece a proprietária da empresa de brinquedos pedagógicos Dalabre Indústria e Comércio de Brinquedos, Elena Ramalho. Ela afirma que a procura de pais por brinquedos que estimulem a cognição e façam relação com o conteúdo ensinado em sala de aula é cada vez maior. “Os pais estão investindo mais, não querem comprar qualquer brinquedo, por mais barato que ele seja.”
Quem leva a sério tal investimento é o advogado Rafael Lonrezoni, 36 anos, pai de Gabriela, 2 anos, e de Guilherme, 6 anos. Desde que o mais velho tinha 1 ano, ele e a mulher, a administradora de empresas Kátia Lorenzoni, sempre compram brinquedos que ajudem as crianças a desenvolver habilidades específicas de cada fase. “Quando eles eram menores, comprávamos jogos de montar e encaixar, para estimular a coordenação motora. Conforme eles vão crescendo, investimos em jogos de tabuleiro e de memória, que são bons para o raciocínio. Acredito que esse estímulo vai contribuir muito para o futuro deles. As escolas, inclusive, deveriam incentivar os pais a comprar esses jogos para o ano letivo”, opina Lorenzoni.
A escola de Educação Infantil Pés no Chão, no bairro Bom Retiro, onde as crianças estudam, orienta os pais a sempre incluírem na lista de compras algum jogo de tabuleiro, como damas ou dominó. A pedagoga da escola, Roberta Opladen, explica que, além de ensinar conceitos matemáticos, tais jogos também são importantes pela mensagem passada durante a brincadeira. “Eles transmitem aos alunos conceitos importantes como perder, ganhar, competir e trabalhar em equipe. Elas aprendem regras que terão de respeitar ao longo de toda a vida, além de aprenderem a conviver em grupo, pois os brinquedos pedagógicos utilizados sempre têm como fim a interação e a socialização.”
Nas turmas de Educação Infantil do Colégio Positivo os brinquedos fazem parte da lista escolar, e os pais podem optar por um individual ou coletivo, que será devolvido no fim do ano. “Os brinquedos ficam sempre à disposição dos alunos, nas salas ou em atividades externas, e na maioria das vezes são de uso conjunto, para estimular a noção de coletividade. Quando são individuais, sugerimos que as crianças troquem entre si, para que aprendam a compartilhar”, relata a coordenadora pedagógica de Educação Infantil do grupo, Rosângela Borba.
Sem compromisso
De acordo com a educadora brinquedista Maria Cristina Pires, coordenadora da brinquedoteca do Colégio Anjo da Guarda, os brinquedos pedagógicos realizam funções muito importantes na vida de uma criança, mas é preciso ter cuidado para que o brincar não se torne uma obrigação de aprender algo. “É bom que a criança brinque em grupo e aprenda ao mesmo tempo, mas também é preciso que ela tenha uma relação íntima com seu brinquedo.” Ela explica que aqueles que à primeira vista não oferecem interação, como bonecas, carrinhos e robôs, também cumprem um papel. “É preciso haver fantasia, encantamento, brincar por brincar.”
Dia certo para o brinquedo de casa
Na maioria dos colégios, é comum a instituição do “dia do brinquedo”. Nessa data, os baixinhos podem trazer de casa o brinquedo preferido, já que nos demais dias só é possível se entreter com os oferecidos pela escola. No Colégio Dó-Ré-Mi, esse dia é sexta-feira. A proprietária Marilza Fiori explica a limitação: “Se permitirmos que a criança traga o brinquedo todo dia, ela se torna dependente daquilo para vir à escola. Além disso, se ele trouxer um brinquedo novo todo dia, vai chamar a atenção dos demais e isso pode acarretar problemas.”
No dia estipulado, a escola recomenda aos pais que deixem os filhos escolherem qual brinquedo querem levar. “Se ele traz um que não o agrada, vai perder o interesse rápido e se interessar pelo do outro, ou então simplesmente vai ficar sem brincar”, afirma.
No Colégio Positivo, o dia é sempre decidido em assembleia, em conjunto com alunos, pais e professores, e pode variar de acordo com a turma. A coordenadora pedagógica Rosângela Borba sempre aconselha os pais a não mandarem brinquedos “de relíquia”, com peças pequenas, inadequados à faixa etária ou eletrônicos.
“O brinquedo deve interagir com a criança, assim como propiciar a participação de todos. Um brinquedo eletrônico geralmente se joga sozinho, e não é esse o propósito da atividade”.
Orientação: o que a escola pode exigir?
De acordo com o Procon-PR, nenhum material de uso coletivo – entre os quais se incluem alguns brinquedos – pode ser exigido na lista escolar. No caso dos brinquedos, as escolas podem recomendá-los. Se o pai se dispuser a fazer a aquisição, tem de esclarecer à direção da escola se irá doar o material ou emprestá-lo. Se optar pela segunda opção, deve receber o material em condições de uso no final do ano.
O que os pais devem lembrar é que os jogos sofrem um desgaste natural, e que as crianças têm o costume de perder as peças. Nesse sentido, o melhor é fazer uma doação ou então deixá-los em casa. Se a escola optar por comprar os brinquedos, deve incluir os gastos em sua planilha de custos, que deve ser apresentada aos pais até 45 dias antes da data final das matrículas.
Fases
Conheça os critérios utilizados por escolas e pedagogos para a aquisição dos brinquedos:
Idades
ATÉ 1 ANO
»» Jogos de montar e de encaixar, de tamanhos grandes (para evitar que a criança engula peças);
»» Bonecos de pano para estimular o desenvolvimento da habilidade motora;
1 A 2 ANOS
»» Quebra-cabeças com poucas peças (de 6 a 12), de tamanhos grandes;
»» Brinquedos que emitam sons e cores, pois é a época em que a criança começa a desenvolver os sentidos;
»» Livros de pano ou plástico que levem ao interesse pela leitura e estimulem as mãozinhas.
2 A 4 ANOS
»» Jogos com varetas, de memória e quebra-cabeças com mais peças (mais de 20);
»» Alfabeto móvel e ábacos;
»» Instrumentos musicais, pois nessa idade os pequenos reconhecem sons e formas;
A PARTIR DOS 4 ANOS
»» Jogos de soletrar e de conhecimentos gerais;
»»Jogos de tabuleiro, como damas e dominó;
»» Livros com desenhos, charadas e de completar para estimular a leitura e o raciocínio, mosaicos e ao estilo Lego, pois é agora que conseguem pensar de forma lógica;
DICAS
»» Os brinquedos devem ser divertidos, instrutivos e seguros. Para isso, compre jogos adequados a cada faixa etária;
»» Observe também se possuem o selo do Inmetro;
»» Prefira brinquedos de plástico – mais resistentes, fáceis de limpar e leves;
»» Não compre brinquedos com formas pontiagudas ou pesados, pois a criança pode atirá-los nos coleguinhas e machucá-los;
»» Evite jogos que não exijam interação, como os eletrônicos, e, se possível, participe das brincadeiras.
Fontes: Jornal Gazeta do Povo - Caderno Ensino - Publicado em 26/01/2010 - Por Vanessa Prateano
Escolas de Educação Infantil Pés no Chão, Dó-Ré-Mi e Voo Livre; Dalabre Indústria e Comércio; Maria Cristina Pires; Colégio Positivo
Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.br/ensino/conteudo.phtml?tl=1&id=967278&tit=Bom-e-aprender-brincando>
[ voltar ] |